A erechinense Gabriela Szuchman, 24, mora em Tel Aviv, Israel, desde 2017. Lá, atua numa empresa que é referência em negócios que buscam aproximar o Brasil e o país de origem de seus antepassados. Na entrevista a seguir, a qual integra o Projeto “Por onde andas?” do jornal Bom Dia, a princesa israelita da Frinape 2015 fala como é viver numa das cidades mais tecnológicas do mundo, discorre sobre o crescimento do antissemitismo e defende a instalação da embaixada brasileira em Israel.
O que te levou a Israel? Estamos falando da Aliah?
Fiz a Aliah (imigração judaica à Terra de Israel) em 2017, aos 23 anos. No entanto, com 15, já havia cursado parte do ensino médio no país. Sempre gostei de viajar, mas a escolha foi facilitada em razão de minhas raízes judaicas.
E por que Tel Aviv?
Escolhi Tel Aviv por ter todas as oportunidades que uma grande cidade oferece e também por sua beleza, clima, praia. Foi lá que tive a oportunidade de começar a trabalhar em uma empresa referência em negócios entre Brasil e Israel.
Como é viver em Tel Aviv, uma das cidades com o maior desenvolvimento tecnológico do mundo? Aliás, por que você acredita que a cidade conquistou este status?
É engrandecedor, desafiante e motivante viver em Tel Aviv. A cidade não para! É lugar de inovação constante, em que todos os dias se cria e se aprende algo novo. Israel como um todo, aliás, conquistou esse status devido às necessidades geopolíticas, climáticas e escassez de recursos naturais, além da característica de sua população – que é heterogênea. O serviço militar obrigatório e a cooperação entre o governo com os centros acadêmicos e o investimento em pesquisa e desenvolvimento também são fatores determinantes neste processo. Mas, claro, não posso deixar de mencionar a ‘’cara de pau’’ Israelense, com seu jeito atrevido de realizar o que quer.
Qual sua opinião a respeito da crescente onda antissemita percebida em vários países da Europa? O que poderia motivar isto e como 'frear' este movimento?
É desesperador e preocupante. Em meu cotidiano, convivo com pessoas que foram buscar refúgio em Israel justamente por não se sentirem seguras em seus países de origem devido à onda antissemita. Todo preconceito se inicia a partir de uma formação de opinião, acredito que as formas de frear esse movimento seriam através da conscientização das pessoas, da educação e do entendimento/identificação da importância de respeitarmos o próximo. Como diz o grande líder Nelson Mandela: ‘’Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.
De que maneira você avalia o impacto que pode ter a troca da embaixada do Brasil (de Tel Aviv para Jerusalém)? Você é favorável?
Sou a favor. Mudar a embaixada para Jerusalém significa reconhecê-la como capital do Estado judaico. Entendo que é importante para Israel, e sua população, essa aliança com o Brasil. Porém, ao mesmo tempo em que é favorável para Israel, é desfavorável para os países que tem conflito com Israel.
Quais são vínculos com Erechim, hoje?
Erechim é minha cidade natal, onde tenho minha família, meus amigos e muitas pessoas queridas. Erechim é minha raiz, o lugar onde sempre será o meu lar.
Projetando seu futuro, pensa em voltar ao Brasil ou deve seguir em Israel?
Fui para Israel com o principal objetivo de concluir meus estudos, depois de alcançar essa meta, estarei aberta as oportunidades que vierem.
De que modo as novas tecnologias devem impactar a sociedade no curto, médio e longos prazos?
Já estamos vivendo em uma era de muita inovação tecnológica que nos trouxe imensuráveis benefícios na comunicação, medicina, ciência e outros. Porém, já se pode notar alguns pontos negativos dessa imersão tecnológica. Por exemplo: máquinas substituindo pessoas; redes sociais que conectam pessoas mas também distorcem a realidade. É inevitável que essa evolução ocorra, mas o mundo precisa ter discernimento para lidar com essa nova era.
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Quem é?
Filha de Olinda Frare e Saul Szuchman (in memorian), Gabriela fez parte do ensino médio em Israel. À época, tinha 15 anos. Mais tarde, estudou Economia na PUC/RS (incompleto). Adora viajar, dançar e estar rodeada de pessoas.