Em continuidade à série de reportagens sobre "Cidades Inteligentes", o jornal Bom Dia aborda nesta edição dois temas: "Desenvolvimento, inovação e a criação de pequenas empresas (foco nos jovens)" e "Como assegurar conexão entre cidade e campo". Vamos ao primeiro deles:
Desenvolvimento e inovação do setor produtivo com a criação de pequenas empresas (foco nos jovens)
A ação busca favorecer a constituição de empresas com novas tecnologias e metodologias, sobretudo com a ajuda do webcasting (transmissão ou streaming de arquivos de mídia pela Internet).
Partindo-se deste pressuposto, importante consideração sobre o futuro econômico de Erechim reside na concentração da população e dos setores industriais e de serviços no centro, que detém 42,3% da população e 79,5% da atividade. Diversificar a distribuição geográfica dos investimentos, criando áreas de especialização produtiva, sobretudo nos setores agroalimentar, têxtil, tratamento do couro, calçado, metalmecânico e transportes, é uma boa alternativa.
É fundamental, também, que as atividades estejam atentas à indústria 4.0 (e aqui se inclui o setor agrícola) a fim de aumentar a competitividade da produção - através de uma organização inovadora do trabalho, uso de softwares mais eficazes, criação de redes maiores, colocação mais visível diante de mercados externos (web marketing) e portais na internet que estimulem o e-commerce.
Outro ponto vital é introduzir e difundir as tecnologias a fim de envolver a comunidade nas novas formas de networking (redes de trabalho), favorecendo a comunicação rápida e contínua entre a prefeitura e os cidadãos - o que envolve transparência e o fornecimento, por exemplo, de documentos pessoais online; e entre os próprios moradores da cidade.
Viveiro de novas empresas
O pulo do gato para atingir estes objetivos está no incentivo à criação/lançamento de pequenas empresas de serviços avançados, sob gestão de jovens empreendedores, competentes em novas tecnologias voltadas às atividades produtivas tradicionais (agricultura, metalmecânica, alimentos, construção e outras) e turismo.
Para tanto, ao município cabe formar/estimular cada vez mais (via microcrédito, instalações, fornecimento de rede sem fio, capacitações) as incubadoras de desenvolvimento, que também podem/devem buscar recursos e incentivos através de agências federais como Sebrae, Ibama, Embratur e Embrapa.
Para formar estes jovens, cabe ao poder público - especialmente local - a proposição de parcerias com universidades e empresas, pelas quais, com o método escola-trabalho, se criem negócios (individuais ou em equipe) com projetos inovadores e inteligentes a serviço da sociedade. Aos melhores projetos/grupos, a recompensa seria a entrada na incubadora criada pela prefeitura.
Banda larga
A "rede das redes", criada a partir das soluções acima expostas, no entanto, só funcionará com a introdução da banda larga, permitindo que as pessoas não se conectem apenas com seus conhecidos, mas potencialmente com todos os residentes (cidadãos simples, operadores econômicos, transportes públicos ou de nova geração, operadores culturais, etc) e com o resto do mundo.
Como assegurar a conexão entre a cidade e o campo
Assegurar uma conexão entre a vida urbana e a rural é envolver as pessoas que vivem fora da cidade, integrando as relações entre os dois 'mundos', ora apartados (não apenas pelas precárias condições de acesso/estradas de Erechim).
Neste interim, a primeira questão a ser resolvida é como aproximar as novas tecnologias do campo, via banda larga - evitando que a chamada divisão digital se aprofunde ainda mais. A conexão, portanto, deve se tornar um serviço universal.
O conhecimento e a visibilidade de hoje (e do futuro) viaja na web; seja do alto do prédio mais luxuoso de Erechim até às barrancas de uma casa de madeira em Capoerê.
O programa da Smart City, sob está lógica, cria uma cidade aberta e mais igual, dando visibilidade e promovendo também as atividades desenvolvidas nas comunidades rurais e aos produtos típicos da agricultura (em pequena escala e a orgânica, especialmente).
Para que uma cidade inteligente se torne, de fato, aberta e um imã de desenvolvimento ela deve: favorecer o intercâmbio comercial entre urbanidade e territórios rurais, com a possibilidade de compras online e receptível a 'mercadinhos' agrícolas periódicos (a exemplo das feiras dos produtores); além de promover o turismo rural e a hospitalidade do eco-turismo - do hipoturismo aos festivais patronais, passeios a cavalo, eventos da vida rural (colheita, churrascadas, festas do frango, peixe, suíno), artesanatos de madeira e outros.
Turismo rural
O turismo se coloca como um dos setores mais dinâmicos da última década, com potencial de seguir crescendo. Nesta toada, e reconhecendo-se o turismo rural como "canal de aproximação" entre campo e cidade, é necessária a criação de um plano de intercâmbio e de redes de treinamento entre cidade e interior - com esforços em nível político.
Como o mundo faz? Não há uma fórmula pronta, mas - em regra - os passos são estes:
1 - Estabelecer harmonização entre cidade e campo, respeitando, cada qual, seus valores e estilos de vida;
2 - Elevação da qualidade de vida na sociedade rural;
3 - Permitir aos agricultores atingir uma renda mais gratificante;
4 - Valorizar a natureza e as tradições/cultura do mundo rural;
5 - Favorecer contato com a natureza em formas sustentáveis.
Um exemplo de "boa prática" neste sentido é o Programa "Leader" da União Europeia - que, via turismo rural, deu importante impulso a ações de desenvolvimento local sustentável como: valorização equilibrada do meio ambiente, recuperação da arquitetura rural típica, conservação das tradições culinárias originais, salvação de artesanatos em via de desaparecimento e difusão de marcos de qualidade sobre vinhos e produtos da terra. Tudo isso levou a uma melhor condição econômica e social das pequenas propriedades, com trocas (financeiras, de experiências e culturais) elevando a estima do território rural. Em Erechim, há evidente carência de estudo, tempo e planejamento sobre o assunto (por parte dos governos e até das universidades) - vicejando, apenas, iniciativas individuais de empreendedores corajosos e visionários que, mesmo contra a maré, estão conseguindo bons resultados.
Na próxima edição
Semana que vem, a abordagem recairá sobre a necessidade de criação de um distrito territorial integrado e ações de suporte para inovação no estilo da gestão de recursos humanos.