Na semana dos direitos humanos, a reportagem do Bom Dia conversou com a assistente social da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Fernanda Silva, que destacou a importância de reforçar a consciência cidadã nas pessoas com deficiência. Para ela, este é o primeiro passo para garantir o cumprimento de seus direitos. "É preciso empoderar essas pessoas para que elas tenham consciência que são cidadãs e têm direitos", enfatiza a assistente social.
Fernanda explicou que na Apae as atividades seguem três estatutos: da pessoa com deficiência, da criança e do adolescente e dos idosos, considerando que a instituição atende grupos de várias faixas etárias. "Tentamos unir os três estatutos para desenvolver o trabalho de modo que eles tomem consciência daquilo que são seus direitos", pontua.
A assistente social ressalta ainda, que essas pessoas têm direitos garantidos na Constituição, tais como o lazer, moradia, alimentação, segurança pessoal e familiar, liberdade de expressão, entre outros.
Para Fernanda é preciso romper a ideia de que apenas os trabalhadores são cidadãos. "Não é porque alguns deles não podem exercer uma atividade que eles não são. Afinal, eles também pagam impostos e fazem parte da sociedade", enfatiza a assistente social.
Durante a entrevista, também foram destacadas as parcerias que a Apae tem realizado com empresas, ampliando a inserção de pessoas com deficiência no mundo do trabalho.
Nesse sentido, a entidade busca apresentar as leis trabalhistas de forma criativa, para que todos entendam seus direitos, bem como, seus deveres enquanto cidadãos. Para Fernanda, ao entender que são pessoas com direitos, eles mesmos poderão exigir o cumprimento das leis.
Avanços
No que se refere às conquistas, a assistente social comenta que muitos avanços já foram registrados, inclusive no que diz respeito a acessibilidade de deslocamento.
"Já há muitos lugares que estão se adequando. A própria escola já realizou reformas, bem como nas ruas do município é possível perceber os reparos", pontua.
Com relação ao acesso à educação e ao trabalho, Fernanda destaca que as empresas estão cumprindo a lei que prevê a reserva de 5% das vagas aos deficientes e que as cotas em concursos públicos e vestibulares também auxilia na inserção desse grupo na formação escolar. "A questão das cotas é a melhor forma para executar a lei, sendo que garantem que as pessoas sejam visualizadas. Caso contrário, elas passariam despercebidas", conclui Fernanda.