Fortalecer a cidadania na fase do envelhecimento é um dos principais compromissos da sociedade para garantir a autonomia e o bem-estar dos idosos. Isso é o que acredita a psicóloga Eliane Santin, do Lar dos Velhinhos de Erechim. Na série de reportagens sobre os direitos humanos, o Bom Dia apresenta nesta edição, uma entrevista especial. Eliane salienta a importância da valorização e cuidado dos idosos, destacando que o processo de envelhecimento deve vir acompanhado de uma cidadania atuante para intensificar o sentimento de pertencimento na sociedade em que a pessoa está inserida.
Para a psicóloga, quando o idoso é atuante, reforça a sensação que também está construindo o mundo. "Ele passa a conhecer um universo que todos estão convivendo, passa a ter opinião sobre coisas que não existiam em sua época, se sentindo como uma pessoa que também está vivendo no ano de 2018, no século XXI", argumenta.
Ao mesmo tempo, segundo ela, é preciso romper o estereótipo de "ser velho", como algo ruim e passar a valorizar a experiência de vida que os idosos carregam.
Além disso, outros aspectos que não podem se perder nesse momento da vida é a autonomia e a sensação de produtividade tanto para si como para a sociedade.
A psicóloga mostra que muitos avanços foram conquistados com o Estatuto dos Idosos, garantindo maior participação na vida social e protegendo contra negligências financeiras, físicas e psicológicas.
Estatuto dos Idosos protegendo direitos individuais
O Estatuto dos Idosos pode representar o cumprimento de direitos humanos dos idosos, visando promover e proteger a qualidade de vida para esse grupo.
Nesse sentido, Eliane ressalta que o documento é uma garantia legal contra abusos financeiros e físicos. Do mesmo modo, destaca ainda, que o estatuto auxilia em não privar nenhum idoso de trabalhar de modo formal, potencializando sua produtividade. "A questão do trabalho não pode ter uma idade mínima, considerando que o idoso não ficou improdutivo. Ele continua produzindo com mais experiência, que às vezes pode ser mais importante que muitas técnicas", pontua.
Etapa de aprendizados
Do ponto de vista da psicóloga, o estatuto deve atuar para promover a autonomia nessa fase da vida. Segundo ela, é um momento de reforçar a importância da liberdade de expressão e de emitir opiniões, considerando que eles também fazem parte da sociedade.
Essa interação com outras pessoas pode ampliar a possibilidade de o idoso cumprir seus direitos enquanto cidadão. "A interação faz eles se sentirem pessoas com direitos, opinião e produtivos em alguma coisa. E isso ajuda em todos os sentidos, porque a pessoa se sente mais capaz pro envelhecimento. Perde-se o aspecto que envelhecer é um fardo, mas sim, uma fase da vida", enfatiza.
Com isso, a psicóloga reafirma o compromisso de todos para proporcionar uma vida mais autônoma e também de aprender junto, considerando a sabedoria que eles adquiriram ao longo dos anos. "Nossa missão é respeitar isso, todos juntos. Devemos dar exemplos para as crianças e jovens, que envelhecer é uma fase de sabedoria, aprendizado e cultura", acrescenta.
A psicóloga ressalta também, que dar atenção aos idosos é essencial para a convivência em grupo. "Quando você escuta e presta atenção naquilo que ele fala, você percebe que aquelas palavras carregam uma história, a história de alguém", pontua.
Eliane finaliza ressaltando que em todo momento da vida estamos aprendendo, e que isso não é diferente com os idosos. "É alguém que já viveu muito mas que ainda pode aprender", conclui.