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Quem vai produzir comida amanhã?

Sétimo dia de debates do 1º Fórum Bom Dia abordou os grandes desafios que a agricultura tem pela frente

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Tonello, Basso, Rodrigo, Gobbo e Roberto
Por Igor Dalla Rosa Müller
Foto Igor Dalla Rosa Müller

O sétimo dia de debates do 1º Fórum Bom Dia de Desenvolvimento teve como tema “A agricultura familiar: da mesa do produtor, para a mesa do consumidor”, os desafios da produção de alimentos no campo e a sucessão familiar na agricultura familiar. O fórum foi realizado no final da tarde desta quinta-feira (15), no estande da TV Bom Dia na Frinape. Estiveram presentes o gerente regional da Emater/Ascar Gilberto Tonello; o gerente adjunto regional da Emater/Ascar Marcos Gobbo; o secretário de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar de Erechim, Leandro Basso; e, o presidente da Cooperativa Central de Comercialização da Agricultura Familiar de Economia Solidária (Cecafes) Roberto Balen, mediados pelo jornalista do Grupo Bom Dia Rodrigo Finardi.

Segundo Tonello, o jovem não quer mais ficar no meio rural, vai para a cidade e não quer voltar. “Quem precisa de assistência técnica tem de graça. Infelizmente se deparamos com uma situação preocupante, a sucessão familiar”, destaca. Uma alternativa para manter o jovem no campo são as agroindústrias que agregam valor ao que é produzido. “Ali tem salário muito melhor do que trabalhando na cidade”, afirma.

A citricultura é outro exemplo de cultura em pequenas propriedades, que se bem manejado, pode render até R$16 mil por hectare. “O pequeno produtor tem que parar de pensar que vai fazer dinheiro com soja”, ressalta. Conforme Tonello, os municípios tem papel fundamental em criar programas de apoio e incentivo ao produtor rural.

Para Basso, há uma legislação que dificulta a evolução da agricultura familiar e dessa cadeia toda se estruturar. O envelhecimento e o êxodo rural é um problema sério da agricultura familiar. Ele comenta que nem 3% da população de Erechim está no meio rural. “Êxodo impacta bastante na agricultura familiar, que está envelhecendo ou envelhecida. Como levar o jovem de volta esse tem sido o grande desafio. Ninguém está conseguindo reposicionar esse jovem, que está sendo explorado no espaço urbano, mas não vê a viabilidade da atividade, que sustentou a sua família”, enfatiza.

O secretário ressalta que se consegue ter qualidade de vida no campo, o custo de vida é menor e a qualidade de vida é maior. “O jovem quer independência financeira e pode ter qualidade de vida melhor que o pai dele teve, mas quando se agrega tecnologia, automação e outras ferramentas a solidez da atividade é ampla”, enfatiza.

A legislação é um empecilho para a cadeia produtiva agrícola. Ele cita como exemplo que aqui no Rio Grande do Sul não se pode produzir tilápia em escala comercial. “Temos que avançar muito, a legislação precisa ser construída respeitando as particularidades de cada região”, explica.  

Conforme Marcos, é uma realidade o envelhecimento da população rural. “O que identifica a agricultura familiar é o básico de nossa mesa, produtos olerícolas, frutas, feijão, queijo, alimentos básicos do dia a dia, é a produção desses alimentos. A mão de obra está fugindo do meio rural”, comenta. Marcos enfatiza que os pais têm que aos poucos ir entregando a propriedade aos filhos e fazer a sucessão familiar. “Tem que largar o osso”, afirma.

De acordo com Roberto, para mudar essa realidade da agricultura familiar é necessário mudar o sistema de produção para que o jovem possa ter renda. “Mas isso é um processo lento. A produção orgânica é uma alternativa interessante”, observa.

Ele cita como exemplo o projeto Laranja do Futuro, realizado por muitas mãos que está mudando a realidade da citricultura regional, que “estava em decadência há alguns anos”. “Esse projeto resgatou a esperança do produtor, de famílias que estavam arrancando os pomares”, destaca. Hoje, tem jovens que estão plantando laranja e acreditando na sucessão familiar. Roberto acrescenta um dado muito importante do projeto Laranja do Futuro, ele garante ao produtor a compra da laranja e preço. “A maioria dos setores não têm essa garantia”, conclui.  

 

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