Um olhar para o futuro: sensibilização e mobilização para o mercado de trabalho, esse foi o tema da palestra realizada no Salão de Atos da Uri Campus Erechim, na tarde desta sexta-feira (28), por Alexandre José da Silva, referência hoje em diversidade cultural e inclusão social. O objetivo do evento foi falar sobre os direitos da pessoa com deficiência (PCD) e, principalmente, destacar que é preciso enfrentar muitos obstáculos para a conquista efetiva desses direitos. “Existe, na prática, um abismo entre a letra da lei, o que dizem as leis e a realidade das pessoas com deficiência (PCD)”, afirma Alexandre.
Ele destaca a importância da participação das pessoas através das associações em eventos e atividades para que os direitos saiam do papel efetivamente. “E venham trazer qualidade de vida e inclusão social para as pessoas com deficiência”, destaca.
Ele ressalta que as pessoas com deficiência possuem direito a vida, educação, assistência social, saúde e, também, ao trabalho. A PCD tem o auxílio da Lei de Cotas, que obriga as empresas a contratar um número determinado de pessoas com deficiência. “No Brasil há 24 milhões de pessoas com deficiência e depois de 27 anos da Lei de Cotas apenas um pouco menos de 1%, estão no mercado formal de trabalho”, observa. E, acrescenta, “esse é o abismo que a gente fala entre as promessas da legislação e aquilo que realmente se efetiva”.
Segundo Alexandre, o trabalho traz grandes benefícios para as pessoas com deficiência, para a família e a sociedade em geral. “Temos que encontrar meios através do poder público, associações, universidades, como é o caso da URI, para encontrar soluções e sugestões para enfrentar essa dificuldade. Porque não existe justificativa para depois de 27 anos da Lei de Cotas menos de 1% dessa população, que pode trabalhar, estar fora do mercado de trabalho”, enfatiza.
O palestrante afirma que a participação das empresas é fundamental, que elas precisam mudar o paradigma, a ideia de simplesmente cumprir a lei para que esteja desonerada de multas. “Levar uma pessoa com deficiência para dentro do seu ambiente de trabalho, traz ganhos significativos para a empresa, para a pessoa com deficiência e a própria sociedade”, observa.
A pessoa com deficiência faz parte da diversidade humana. “E como tal todos nós ganhamos, porque temos uma pessoa que precisa de trabalho, pode nos ensinar muito e também produzir já que tem potencial”, explica.
Alexandre destaca que todo processo de inclusão, tanto na educação quanto no trabalho precisa de sensibilidade, porque a pessoas com deficiência tem limitações, e por isso existem as leis compensatórias. E, além de cumprir a lei, as empresas precisam entender que elas vão ter ganhos, mas tem que mudar a forma de pensar.
“A questão dos direitos passa fundamentalmente pelas nossas ações, pela nossa participação na vida política, em sociedade, na vida em associações”, comenta.
Alexandre enfatiza que não adianta ter uma lei como a de cotas que já tem 27 anos e ela não se concretizar no dia a dia. “Através das nossas ações, nossas mãos, podemos mudar isso e melhorar esse quadro. Sem a nossa participação nada vai mudar”, esclarece.
Não se pode esquecer que a pessoa com deficiência chega ao mercado de trabalho, muitas vezes, sem ter recebido uma educação inclusiva de qualidade, ter sido qualificada para o mercado de trabalho. “Como vão querer que aquela pessoa renda e apresente bons resultados? Isso independe de ter ou não deficiência”, ressalta.
O palestrante enfatiza que é necessário olhar para a pessoa com deficiência como um todo. “Do nascimento até a entrada do mercado de trabalho”, conclui.
Aquarela Associação Pró-Autista
Segundo a coordenadora da Aquarela Associação Pró-Autista de Erechim, Neiva Sabedot, esse é um evento para sensibilização sobre a deficiência e, também, a sua relação com o mercado de trabalho. Chamar atenção desse assunto hoje pensando no futuro. “Como vou trabalhar com o deficiente? Esclarecer essas dúvidas”, observa.
Segundo Neiva, o evento foi dirigido para pais, PCD´s, empresários, assistentes sociais e psicólogas. Ela afirma que a Aurora é um exemplo de empresa inclusiva em Erechim, que emprega mais deficientes do que prevê a cota.
Na avaliação dela tem muito ainda para se avançar no Brasil, já que se tem muitas pessoas hoje com deficiência. “Deficiente não é só quem nasce com deficiência, daqui a pouco você para ali na rua e é atropelado, aí vira um deficiente, um PCD. Nós vamos trabalhar essa recolocação no mercado de trabalho, porque passou a ser um, e aí vai precisar de uma vaga para deficiente”, destaca.
Neiva comenta que a Aquarela já atua há 12 anos com pessoas com deficiência. Hoje atende 39 crianças e tem 43 na fila de espera. “A demanda é muito grande”, afirma.
A coordenadora ressalta a importância de pessoas físicas e jurídicas doar para o fundo do idoso ou da criança e adolescente parte do Imposto de Renda. “Hoje tem pouca doação e faria muita diferença para todas as associações, que conseguiriam trabalhar com toda a demanda e não haveria fila de espera”, enfatiza.
A associação estimula e desenvolve as habilidades dos deficientes, preparando-os para ter uma vida em sociedade. “Não sendo atendido, a pessoa não está criando as habilidades para ter uma vida. Um deficiente ou autista pode estudar, casar, fazer tudo, dependendo do grau”, comenta. O evento foi promovido pela Aquarela Associação Pró-Autista, Acessuas – Programa Nacional de Acesso ao Mundo do Trabalho, prefeitura de Erechim e Uri Campus Erechim.