A mobilidade urbana é um tema complexo, que envolve todo o planejamento da cidade e, principalmente, a integração entre pessoas, veículos e ciclistas. Para o ciclista esse assunto é ainda um mito e um grande desafio, já que a ciclovia não é ainda realidade, por exemplo, em Erechim. Pois é ela que garante maior segurança às pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, lazer e saúde e aos condutores de veículos.
Segundo o presidente da Associação Ciclística Pé no Pedal Marcelo Andreola o grupo vai completar quatro anos e hoje já conta com mais de 100 associados ativos. O objetivo principal do Pé no Pedal é difundir o ciclismo na região, fazer com que as pessoas utilizem a bicicleta como meio de transporte, lazer e saúde. “Nos últimos quatro anos, o interesse pelo ciclismo vem crescendo muito na nossa cidade, particularmente, está muito forte”, comenta.
Para desenvolver o esporte na região a associação promove ao longo do ano diversos eventos, entre eles está o Rally Bike, que reúne mais de 600 ciclistas de Erechim e região, está na sua quinta edição e acontece no final de abril e início de maio. “Antes disso se faz outros pequenos eventos preparatórios, que a gente chama de pedais temáticos”, explica.
Um exemplo são os passeios rurais, uma parceria da associação com as agroindústrias do município. “Isso proporciona um pedal leve, para começar a fazer amizade. E, a partir disso, inicia as atividades regulares de andar de bike”, observa.
Marcelo observa que ao promover os eventos ciclísticos o objetivo não é angariar fundos para associação, mas diminuir custos e subsidiar a inscrição dos ciclistas para atrair mais participantes, estimulando as pessoas à prática desse esporte. Ele tem se surpreendido com o apoio das empresas privadas de Erechim ao trabalho da associação e ao projeto. “Os empresários têm apoiado, tem percebido nosso trabalho e a sua importância, e através dessas empresas a gente consegue fazer os eventos e subsidiar as inscrições”, ressalta.
Marcelo destaca que os patrocinadores apoiam a associação e todos os eventos que ela realiza. Hoje, a Pé no Pedal conta com a parceria da URI, Grupo Unetral, Cresol, N Santin Eletrificações, CFC JAT, Grupo Master, Berbau Balas Finas, Claramax Papeis e Menno.
“Somos o único grupo gaúcho a fazer parte da Liga Independente do Cicloturismo, ela é mais catarinense que gaúcha, mas é voltada para o cicloturismo, que também é a nossa essência”, enfatiza.
Ciclovias
O tema da ciclovia é de fato importante, e ela tem que ser vista como uma opção de lazer no final de semana, mas também, como uma possibilidade do cidadão se deslocar da sua casa até o trabalho. Um exemplo, segundo Marcelo, é o estado vizinho de Santa Catarina que tem cidades à frente na questão cultural e em relação ao ciclismo.
Em Curitibanos, conta ele, a associação de ciclistas através da vereança apresentou um projeto que foi aprovado e sancionado pelo prefeito em que todas as ruas novas da cidade têm que prever a ciclovia na rua principal. “E também tem a questão de placas indicativas nas rodovias”, acrescenta.
Audiência pública
O presidente do Pé no Pedal lembra que já houve uma audiência pública em Erechim e, na ocasião, foi aprovada a implantação da ciclovia em Erechim. “Mas não saiu”.
Parque Longines Malinowski
A instalação da ciclo faixa ao redor do Parque Longines Malinowski é um avanço, observa Marcelo. “Porém, a gente não entende a sua utilização, porque o ciclista tem que ir de carro e bicicleta para andar ao redor. É uma iniciativa, avalio sempre como positiva, porém a ciclovia que era para sair do início da avenida Maurício Cardoso até o estádio do Ypiranga não deu certo”, ressalta.
Uma das reivindicações do Pé no Pedal seria poder utilizar o interior do parque, já que é um excelente local para a prática do ciclismo, de forma organizada, sem prejudicar a natureza. “Dá para promover competições, a exemplo de uma cidade de São Paulo, que abriu o parque para competição e passeios e reúne milhares de pessoas”, comenta.
Projetos
Ele afirma que a associação está elaborando um projeto para trazer algumas competições no ano que vem, e para isso terá que se associar a Federação Gaúcha de Ciclismo. No entanto, sem perder a sua essência que é o cicloturismo, a maneira de agregar os ciclistas. “A porta de entrada é o cicloturismo, o segundo passo é a competição”, enfatiza.
Ele ressalta que o projeto da ciclovia é abrangente está ligado ao lazer, trabalho e estilo de vida, mas para sair do papel é necessário boa vontade, disposição e encarar alguns debates. Quando a cidade oferecer condições vai aumentar o número de pessoas que usam a bicicleta para ir ao trabalho. “Hoje se faz uma disputa com o carro, bem ou mal, pelas ruas. Há perigo, a ciclovia vem para organizar e diminuir os riscos”, destaca.
Erechim tem todas as condições para ter uma cidade integrada com veículos, pedestres e bicicletas em quase todo o trecho urbano. “Assim como as cidades europeias em que o nosso pessoal fez intercâmbio, e voltam de lá deslumbrados. Tem ciclovias que cortam os países”, comenta.
O Pé no Pedal também realiza projetos de conscientização para que haja integração entre os diferentes tipos de transporte. “A gente não quer guerra, mas harmonia. Respeitar os carros e que os carros respeitem a gente”, afirma.
Marcelo ressalta que o Pé no Pedal é uma associação aberta a quem quiser participar, basta fazer contato. Já está sendo realizada a Associação Ciclística Pé no Pedal Kids, especificamente para crianças, com o objetivo de promover de três a quatro eventos por ano para esse público. Em outubro será feita a segunda versão do Pedal Bike Kids. “Ano passado reunimos 400 pessoas lá na Vila Olímpica da URI e esse deve ser ainda melhorar”.
Conforme Marcelo, Associação Ciclística Pé no Pedal é um grupo sem fins lucrativos, mas voltada para promover a saúde, o social e o esporte.