21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

Seguir as regras é fundamental para obter bons resultados

Para ter qualidade tem que buscar informações e se adequar as normas de produção e fiscalização. Foi assim que a Lakto Pan de Erechim de agroindústria familiar virou indústria de laticínios

teste
“Não é difícil, mas tem que se aperfeiçoar e fazer as adequações”, afirma Jacir Ângelo Pan
Médica veterinária Michele Dal Bosco Zaffari
Médica veterinária Clarice de Vargas
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

As empresas que produzem alimentos precisam seguir uma série de padrões e procedimentos para garantir a qualidade dos produtos e a segurança alimentar dos consumidores. No entanto, ao cumprir todos os requisitos e normas de industrialização o empresário pode ver aí uma oportunidade para aperfeiçoar e padronizar seus produtos e buscar novos mercados. Foi o que fez o empresário Jacir Ângelo Pan, proprietário da indústria de laticínios Lakto Pan, o primeiro laticínio do Brasil a conseguir o Sisbi/Suasa, que possibilita vender seus produtos em todo o Brasil.

A Lakto Pan iniciou suas atividades em 1994 como uma agroindústria familiar, industrializando leite em saquinho e produzindo queijo e vendendo nos mercados de Erechim. Segundo Jacir, o negócio foi crescendo aos poucos e o pavilhão ficou apertado onde estava instalada a agroindústria, localizada na terra de seu pai no Km 8 Linha Dourado estrada para Aratiba.

“Em 2008, foi adquirido o terreno ao lado da BR 153 Km 39 saída para Concórdia, onde está instalada atualmente a indústria de laticínios, já pensando no futuro, na ampliação adequada conforme as normas de fiscalização”, explica. Assim, com a indústria em funcionamento, e 18 anos de empresa desde a agroindústria, em 2012 a Lakto Pan foi o primeiro laticínio do Brasil a conseguir o Sisbi/Suasa.

Hoje, a empresa produz mais de 17 tipos de queijos, iogurtes, nata, manteiga, bebida láctea e ricota. “Essa produção é vendida para todo o Brasil”, comenta. Jacir observa que a indústria foi montada depois de fazer uma série de visitas em outros laticínios, observando como tudo era feito, as instalações, equipamentos e procedimentos.  

Ele enfatiza que para trabalhar com alimentos tem que constantemente buscar informações e se adequar as normas de produção e fiscalização. “Não é difícil, mas tem que se aperfeiçoar e fazer as adequações”, observa.

Jacir enfatiza que todos os investimentos feitos para se adequar as regras de produção valeram a pena. Hoje, a empresa tem 15 funcionários, além dos terceirizados que fazem a entrega dos produtos. “Tem que se adequar, fazer a coisa certa, e aí tem campo para a venda, depois é fazer o negócio andar”, salienta.

A empresa tem os próprios caminhões para fazer a distribuição dos produtos que vão para os estados do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo que alguns comerciantes do Mato Grosso vêm buscar os seus produtos para revender naquele estado.

A matéria-prima vem direto dos produtores, a empresa também tem os próprios caminhões que fazem a coleta, sem atravessadores. Atualmente a Lakto Pan industrializa uma média de 15 a 20 mil litros de leite por dia.

O empresário ressalta que o fundamental é a vontade de querer crescer, se adequar as normas e estar aberto para sempre fazer os ajustes necessários. Jacir afirma que os investimentos foram satisfatórios já que tem um comércio estruturado, gerando empregos, com produtos conhecidos no Brasil e reconhecidos pela sua qualidade. “Nossos produtos tem boa aceitação no mercado porque trabalhamos com qualidade”, destaca.

De acordo com Jacir, se aperfeiçoar, buscar informações e se adequar às normas de produção e fiscalização é fundamental para obter bons resultados. “Não adianta ficar com o pé atrás quando é solicitado melhorias. Tem que fazer. Porque isso traz resultados para empresa, resultados financeiros e produtos cada vez melhores”, destaca.

Desde 2015, a Lakto Pan tem a disposição do público, ao lado da indústria nas margens da BR 153, a sua Casa Colonial. O local serve como vitrine para divulgar os produtos e, também, para o cliente adquirir os produtos da empresa.

Sistema de Inspeção Municipal (SIM)

Segundo as médicas veterinárias Michele Dal Bosco Zaffari e Clarice de Vargas o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) de Erechim existe desde 1992. Atualmente atua com seis médicos veterinários e mais um auxiliar de inspeção. Elas afirmam que o SIM de Erechim tem desde 2011 o Sisbi, uma equivalência do serviço de inspeção federal. “As agroindústrias que têm interesse em comercializar os produtos fora do território do município, tem que buscar conosco essa equivalência e podem comercializar. Por enquanto, só temos a Lakto Pan com esse registro”, comentam.

Hoje, Erechim tem registrado 34 agroindústrias sendo 11 de embutidos. Como Erechim é um município com mais de 100 mil habitantes, em função disso as agroindústrias não buscam outras cidades, porque vendem tudo o que produzem no mercado local.

Michele e Clarice explicam que algumas agroindústrias já estão cogitando a possibilidade de fazer o Sisbi, mas sem muita urgência, já que o município é grande e absorve todos os seus produtos.

Elas citam, por exemplo, o caso das agroindústrias de embutidos, que para conseguir o registro do Sisbi a matéria-prima, a carne suína, tem que vir de um estabelecimento que tem o Serviço de Inspeção Federal (SIF) ou Sisbi. “Teria que abater em estabelecimentos que possuem esse registro. Isso que dificulta eles obter essa equivalência”, observam.

Segundo Michele e Clarice as agroindústrias de Erechim desde que iniciaram suas atividades vêm dia após dia crescendo e se desenvolvendo. “Houve investimentos nesses anos todos e, hoje, estão muito bem”, enfatizam. E, acrescentam, “das 34 agroindústrias, mais de 20 existem desde que surgiu o Sim em 1992. Temos agroindústrias de muitos anos que só cresceram”. Atualmente, há seis pedidos de abertura de novas agroindústrias para serem liberados. Por fim, as médicas veterinárias destacam que em razão do processo de equivalência do SIM com o Sisbi houve uma evolução muito grande no serviço de inspeção, na questão de adequações e processos. “Tudo foi uma adequação muito grande, que evoluiu bastante de uns anos para cá”, afirmam.  

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;