Basta perguntar dos netos que antes mesmo das palavras o sorriso largo já entrega o carinho que marca a relação de Lourdes Zordan Chiochetta, Neusa Maria Bagatini Mello e Maria Luíza Leão com os filhos de seus filhos. Desta primeira impressão nítida em poucos minutos de conversa com as três vovós, pode-se resumir o sentimento de amor que melhor define os homenageados deste 26 de julho: os avós.
Mesmo sem seus respectivos esposos, elas responderam à reportagem sobre como cada casal vê a relação com os filhos de seus filhos. Visivelmente apaixonadas pelos netos – característica que disseram ser igual ou até mesmo maior entre os vovôs – elas destacaram principalmente a diferença de sentimento em relação à época em que se tornaram pais. “A gente ama os filhos sem dúvida nenhuma. Mas com os netos é um amor diferente, sem explicação, ainda maior, cheio de carinho”, destaca Neusa, avó de Benício, de 1 ano, e de Letícia, de 13.
Já Lourdes explica que além do amor, a relação com os netos é diferente. Avó do Pedro, de 2 anos, ela explica que a falta de determinadas obrigações permite uma dedicação maior. “A gente faz o que pode e o que não pode para agradar, porque a relação é diferente. Os avós não precisam necessariamente educar como fizeram com os filhos, então eles apenas curtem”, pontua, enquanto é complementada por Maria Luíza, avó de Alexandra de 5 anos, Arthur, de 1 ano e de um terceiro neto que ainda está sendo gestado: “Nossa experiência como pais nos amadurece e nos permite sermos diferentes com os netos, passando a eles ainda mais amor e mais segurança”, explic.
A falta de determinadas obrigações e regramentos pertinentes da rotina enquanto foram pais também é apontada pelos avós como uma das motivadoras da dedicação com os netos. “Quando éramos pais tínhamos obrigações, precisávamos trabalhar, se tinha pouco tempo para dedicar para os filhos e esse pouco tempo acabava sendo direcionado para a educação, e nem sempre para o carinho. Quando somos avós, já vivemos uma fase mais tranquila da vida, essas preocupações já não estão tão presentes e, por isso, podemos ser apenas pais, mas pais com açúcar”, resume Lourdes.
Outro ponto destacado nesta relação com os netos e que parte também desta nova visão de vida dos avós é quanto à liberdade que se dá aos netos. “Com certeza a gente também ensina, da mesma forma que conversa, explica e orienta sobre o que é certo e o que é errado. Mas de certa forma, na casa dos avós se pode tudo, porque a gente também se permite e permite aos netos que aproveitem os momentos da melhor maneira que puderem, o que muitas vezes não é possível que os pais façam” pontua Maria Luíza.
Aprendizado mútuo
As avós fazem questão de destacar ainda que não apenas ensinam, como também aprendem diariamente com os netos. “Hoje em dia parece que eles vêm com um chip programado para estarem a nossa frente sempre. Quando pensamos que vamos ensinar a eles algo, percebemos que na verdade a gente é que aprende com eles, principalmente quando se trata das tecnologias”, brinca Neusa, ao destacar que a neta Letícia, de 13 anos, é quem a ensinou a mexer no telefone celular.
Neste sentido, Lourdes e Maria Luíza também ressaltam o aprendizado em torno de paciência e de dedicação. “Conviver com os netos é aprender todos os dias a ter paciência, a ter carinho, a ter amor e a se dedicar ainda mais do que a gente já se dedicou aos filhos”, finaliza Maria Luíza.