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À beira da extinção

Iniciativa pela preservação da história alerta para situação caótica que vive o patrimônio arquitetônico de Erechim

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A preservação do patrimônio histórico abre portas para fortalecer e incentivar o turismo, afima Rose
Erechim tem um total de 122 prédios históricos de diferentes classificações.JPG
Magali afirma que falta fiscalização atitude do poder público e fazer a lei funcionar.JPG
É possível preservar o patrimônio arquitetônico e integra-lo a construções modernas, diz Rosely.JPG
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller e Fernando Genro

A cultura é a mãe de todos nós. Ela acompanha a vida humana desde a sua origem. Está nas coisas mais simples do dia a dia, num telefone, na comida, no desenho de nossas casas e inclusive na identidade pessoal. Sem cultura a vida não faz sentido. Tendo em vista a sua importância, um grupo de erechinenses se reuniu para abraçar o Castelinho, a construção mais antiga de Erechim (RS), símbolo vivo da origem da cidade. O abraço cultural realizado ontem ocorreu em várias cidades do estado, sendo uma iniciativa do Conselho Estadual de Cultura (CEC), preocupado com a situação de abandono do patrimônio cultural no Rio Grande do Sul.

 

Cheguei uns minutos antes do horário marcado no Castelinho, localizado no centro do município, onde tudo começou. Esse é um hábito antigo que tento manter. O primeiro a chegar foi o arquiteto Artur Peruzzo. Conversamos sobre um pouco de tudo, mas principalmente, mobilidade urbana. Antes do horário marcado estavam quase todos no local, um grupo de 15 pessoas formado por estudantes de arquitetura e urbanismo, professores e profissionais formados com longa trajetória de conscientização e defesa do patrimônio arquitetônico local.  

Segundo a arquiteta e urbanista patrimonialista Rosely Hachmann, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB Erechim), a proposta foi uma iniciativa do IAB RS. O núcleo José Albano Volkmer de Erechim escolheu o Castelinho já que é um ícone da formação da cidade de Erechim. Rosely ressalta que a situação do patrimônio cultural de Erechim é grave, porque só nos últimos quatro anos foram derrubados 12 prédios históricos. “Temos uma listagem de prédios sugeridos para o governo municipal preservar, mas com a troca de prefeitos isso ficou estagnado”, observa.

Ela comenta que no centro de Erechim tem um total de 122 prédios históricos de diferentes classificações, que aos poucos estão sumindo. São edificações em estilo Eclético (22 prédios), Art Déco (66), em Modernista (22) e Colonização (12), os casarios de madeira.

Do jeito que as coisas estão indo a tendência é que todo esse patrimônio acabe, afirma Rosely. Erechim é uma cidade que se destaca no Rio Grande do Sul, já que tem muitos prédios históricos de diferentes estilos concentrados numa mesma área. “Infelizmente, parece que é incômodo para as pessoas preservar”, pontua.  

A arquiteta e urbanista patrimonialista ressalta que é possível preservar o patrimônio arquitetônico e, ainda assim, integra-lo a construções modernas. E cita como exemplo dessa integração o prédio do Durli Bussines Center, no centro de Erechim.

“Já existe a lei de preservação do patrimônio no município só que não está sendo cumprida”, destaca. Rosely enfatiza que faltam incentivos para quem já preserva a história do município, e não envolve necessariamente dispêndio de dinheiro, mas, por exemplo, diminuição do IPTU.

Além disso, salienta a arquiteta e urbanista patrimonialista, a preservação do patrimônio histórico abre portas para o município fortalecer e incentivar ainda mais o turismo.   

Rosely afirma que Erechim é uma cidade única, referência, e lembra a Caravana Cultural em que alunos de arquitetura vinham de Porto Alegre com o professor José Albano Volkmer estudar o patrimônio arquitetônico histórico de Erechim.      

“Os prédios estão numa situação precária e prestes a sumir. Olha os Correios. Em ano de centenário, faço uma pergunta para reflexão: daqui a cem anos o que vamos preservar? Qual é a arquitetura magnífica que vai sobrar?”, questiona.  

Conforme a arquiteta e urbanista Magali Mingotti, integrante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB Erechim), esse abraço cultural é muito importante já que o patrimônio arquitetônico está completamente degradado e isso não é só aqui, mas em todo o RS. “Erechim então se propôs abraçar o Castelinho como apoio a essa ação”, observa.  

Conforme Magali falta apoio do poder público, mesmo com a lei Erechim, Cidade Limpa, não há fiscalização, incentivo e recursos destinados à preservação do patrimônio. “Mesmo tendo a lei a gente não avançou efetivamente. Só com limpeza visual das fachadas já teríamos um resultado muito considerável”, explica.

A arquiteta e urbanista enfatiza que falta fiscalização, atitude do poder público e fazer a lei funcionar. “Nosso patrimônio precisa de uma atenção especial”, conclui.  

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