A produção de alimentos é sem dúvida um dos setores mais importantes de um país, sendo a base para o desenvolvimento econômico e social. Sem comida não há uma vida minimamente digna e equilibrada. A agricultura, que envolve pequenos, médios e grandes produtores, está também em constante transformação e evolução. Aliás, essas são as características que mantém o Brasil como um dos mais importantes produtores de alimentos do mundo. Além disso, o setor de alimentos está relacionado diretamente a questões ambientais e de saúde pública, como por exemplo, o uso de defensivos agrícolas e todas as regras que normatizam essa prática. Diante disso, o Jornal Bom Dia foi até a Feira do Produtor e perguntou a consumidores e produtores o que eles acham sobre esse assunto.
Consumidores
Segundo a gestora ambiental Andreia Carla Cechet, 26 anos, a sociedade está num momento para repensar todos os alimentos que consomem. “Porque, hoje, o Brasil está em uma lista dos maiores consumidores de agrotóxicos e é essencial como consumidores termos cuidado e valorizar que produz de uma forma diferenciada”, observa.
A gestora ambiental explica que hoje tem como produzir diversos alimentos tendo uma quantidade mínima de agrotóxicos. “É difícil eliminar totalmente, mas tem como produzir de uma forma melhor com menos agrotóxicos”, salienta.
Conforme Andreia, as alterações que estão sendo propostas não vão alterar a realidade atual dos agrotóxicos no Brasil. “Acho que estão tentando enganar os consumidores, porque querem mudar a forma do nome sem alterar o objetivo, que é continuar com agrotóxicos”, ressalta. E, acrescenta, “acredito que temos que ter uma consciência melhor sobre isso, porque estão tentando nos enganar, porque querendo ou não pesticida é ainda agrotóxico”, conclui.
A artesã Lia Mara Cortina afirma que justamente compra na Feira do Produtor para reduzir o consumo de alimentos com agrotóxicos. “É por isso que eu venho na feira. A ideia é fugir o máximo possível dos agrotóxicos, porque faz mal para a saúde”, destaca. Além disso, a artesã faz uma correta separação do lixo doméstico e aproveita os resíduos orgânicos para cultivar uma horta em casa. “O lixo seco vai para o seco e o orgânico vai todo para a terra”, observa.
Conforme a dona de casa Barbara Barrionuevo, de uns anos para cá as pessoas vêm buscando mais bem-estar e um estilo de vida mais saudável. “Percebo que as pessoas têm buscado produtos mais naturais, sem agrotóxicos, que agridam menos a saúde. Venho na feira justamente por isso. Vejo que aqui é mais natural”, comenta.
Produtores
O produtor Ari Antônio Guarnieri, que trabalha na Feira do Produtor há 35 anos, explica que os defensivos agrícolas somente são usados quando necessário e com produtos específicos para cada cultura determinados pelo Ministério da Agricultura. “A gente tem que respeitar o período de carência, e, além disso, há 38 anos como produtor a gente não teve nenhum problema de saúde, nem na feira e nem na própria família”, ressalta.
O experiente produtor enfatiza que a agricultura familiar já faz bom uso dos defensivos agrícolas e pensa em primeiro lugar no bem-estar do consumidor. “Temos que nos preocupar primeiro com o produto e depois com o atendimento, fazendo o dia de nossa vida sempre pelo melhor. Não estamos satisfeitos em produzir qualquer coisa”, destaca. Ari observa que passa até oito meses do ano sem usar defensivos agrícolas e em determinados produtos não é necessário usar. Por fim, acrescenta, “a Feira do Produtor tem uma história e um atendimento diferenciado com produtos diferenciados”, conclui.
Conforme Ademir Dominiak, produtor agrícola desde 1986, em 90% dos produtos comercializados na sua banca não é utilizado defensivos agrícolas. “É tudo a base da limpeza manual sem produtos químicos”, explica. E mesmo assim dá para se produzir alimentos. “Produz um pouco menos, o alimento não dá tão grande. Ele não é tão bonito, mas é saudável”, afirma.
Ademir afirma que tem muita preocupação com a saúde. E na questão do uso dos defensivos ele enfatiza que tem que respeitar muito a margem de segurança, o período de carência conforme determina o fabricante. “Se usado de maneira correta é viável para a saúde”, salienta.