Para quem passa em frente ao local a cena é lastimável. Visivelmente deteriorado, há pelo menos 20 anos o prédio dos Correios luta contra o tempo e o abandono. Sem nenhuma utilidade, sua realidade traduz o completo descaso com a população e o patrimônio público. Localizado na rua Salgado Filho, em área nobre da cidade, no centro de Erechim (RS), o prédio fica a poucos metros da sede da prefeitura. O problema não é de hoje, apesar de ser uma empresa estatal federal, já passou por pelo menos quatro governos municipais e a situação continua a mesma: indefinida. Nem governo municipal tampouco federal conseguiu achar uma solução para esse desperdício do dinheiro público e da memória da cidade.
Prédio dos Correios
Todo o dia a aposentada Elsa Marmentini passa em frente ao prédio dos Correios na rua Salgado Filho e se depara com as suas condições lamentáveis. Morando há seis anos no local, Elsa afirma que essa situação é muito ruim para a cidade. Primeiro, porque virou abrigo de moradores de rua e segundo porque podia ser utilizado para a prefeitura reduzir gastos públicos.
“Poderia ser aproveitado para qualquer outra coisa, até secretarias da prefeitura. Ao invés de alugar podiam colocar tudo aqui, é só reformar o prédio. Do jeito que está não pode ficar. Está horrível, um dia ainda vai cair. Tem que ter uma solução. Entra prefeito e sai prefeito e ninguém toma uma solução, que alguém tome providências”, observa Elsa.
A comerciária e nutricionista Bruna Rosa de Vargas, 21 anos, que trabalha há um mês em frente ao prédio abandonado dos Correios, acha um desperdício ter uma construção desse tamanho sem utilidade. “A prefeitura paga aluguel e daria para economizar um grande dinheiro com esse espaço”, afirma. Bruna acrescenta que o prédio gera muitos comentários no dia a dia dos clientes.
O proprietário da empresa ECO Informática Vinícius Larrion, 31 anos, está há dois anos com a loja em frente ao prédio e, desde então, a situação é complicada. “No verão tem muito problema com o mosquito da dengue, mas também com ratos. O local é ponto de drogas. Com o tapume reduziu, mas de noite ainda tem gente circulando, os vizinhos se queixam disso”, explica.
Conforme Vinícius, os clientes perguntam como vai ficar o local e sobre a questão do abandono do prédio público. “Acredito que esse prédio possa ser utilizado com uma reforma ou se inutilize ele e venda o terreno. Mas alguma solução tem que ter, já que está gerando problemas para todo mundo”, observa. E, acrescenta, “independente de governo e partido alguém tem que tomar uma posição e dar um parecer a respeito disso, já que esse é um dos prédios mais graves da cidade”, ressalta.
Há cinco anos com a sua imobiliária em frente ao local, o corretor de imóveis Leonardo Luis Fhynbeen, 61 anos, acha que o governo deveria liberar esse imóvel para alguma entidade ou para ser utilizado pela prefeitura. “Está no centro abandonado e tem muitas repartições públicas que pagam aluguel. É um descaso. Tem que pagar aluguel com um imóvel estragando, em desuso”, salienta. Além disso, enfatiza Leonardo, o prédio está no tempo sem janelas e proliferando o mosquito da dengue. “No verão é um surto, já vieram várias vezes (prefeitura) e nada é resolvido”. Leonardo comenta que esse terreno, na área central da cidade, vale em torno de R$ 2 milhões.
Os Correios informam que o prédio da empresa que está situado na rua Salgado Filho foi construído em 1951 e funcionou por cerca de 46 anos como agência dos Correios, sendo desativado em 1997. Atualmente, o prédio está em processo de alienação em conjunto com outros imóveis que a empresa pretende vender. A conclusão do processo de avaliação dos imóveis e licitação está prevista para o final de 2018. “Vale esclarecer que os Correios realizam limpeza periodicamente no terreno do prédio, em Erechim. Além disso, este ano, foi realizada ação para o escoamento da água das lajes para evitar acúmulos no local”, diz a nota da empresa.