Ao chegar ao local em que os animais foram brutalmente abatidos muita coisa passa pela cabeça da gente. Principalmente, um sentimento de indignação e revolta por tamanha crueldade. As cabeças dos animais espalhadas pelo chão e um cheiro asfixiante de gordura, sangue misturado com as tripas e fezes ainda pairava no ar. Logo ali adiante, os urubus aguardam ainda mais uma refeição. A imagem impressiona qualquer um. Ela faz parte da prática criminosa do abigeato, que envolve morte, roubo, venda clandestina de carne e muitos prejuízos ao campo, e ela volta assombrar criadores de gado no interior do Alto Uruguai.
Quando cheguei a Paulo Bento (RS), no Alto Uruguai, para encontrar o pequeno criador de gado, Juliano Wietzycoski, era visível a sua indignação e revolta. Já que no final de semana teve sua propriedade invadida e três animais criminosamente abatidos em sua propriedade, localizada na propriedade na Linha 1 Pinhal no interior de Paulo Bento a três quilômetros da cidade. “Agora não dá mais nem para dormir de noite”, desabafa Juliano.
E, essa não foi a primeira vez que teve animais roubados, há poucos anos atrás havia acontecido a mesma coisa com duas cabeças de gado em outra área em que criava os animais. “Entre as duas vezes que fui roubado perdi em torno de R$ 10 mil”, destaca.
Segundo Juliano, as pessoas que fizeram isso são profissionais, porque só deixaram a cabeça com o osso do pescoço, patas e o couro. A carne do pescoço foi toda removida só ficou o osso.
O criador comenta que já tinha combinado de vender os animais que foram abatidos e na segunda-feira ia entregar o gado ao comprador.
Aratiba
O criador, comprador e vendedor de gado Dulcimar Antônio Tortelli, que a vida toda lida com esse comércio e desde 2001 entrega carnes para muitos mercados e açougues de Erechim, diz que o roubo de animais é uma situação muito complicada para quem trabalha nesse setor.
“Hoje para engordar um boi custa muito. A gente se preocupa porque o alimento é caro e o preço do boi hoje não cobre os custos de produção. Tem bastante gente desistindo da atividade. Perder dois animais em um lote de boi pode contar com prejuízo certo. É pouco o lucro do boi gordo”, destaca.
Severiano de Almeida
O criador de gado e suíno Alecir Basso de Severiano de Almeida afirma que o risco é permanente para quem cria boi. “E o que leva isso é a venda clandestina. O culpado disso tudo não é só o cara que rouba, mas também quem compra essa carne”, ressalta. O criador observa que para acabar com essa prática criminosa no interior o foco deve ser em quem recebe a carne roubada. “Esse devia ser o foco, se não tem comprador não tem quem vai roubar e consumir isso aí”, explica.
Brigada Militar
Segundo o capitão Bergamo, o abigeato tinha diminuído, mas voltou a ocorrer na região. Ele é responsável pelo Pelotão de Operações Especiais (POE) e atualmente responde pelo comando da 2ª Companhia que envolve a área de Erechim e a 1ª Companhia que abrange outros 18 municípios da região e do 13 Batalhão Polícia Miliar (BPM).
O capitão observa que no último fim de semana houve alguns casos de abigeato no interior do Alto Uruguai. E, em resposta a esses crimes a Brigada Militar vai intensificar o patrulhamento em horários diversos, fazer operações e colocar o efetivo com armamento pesado para fazer frente a esse tipo de ocorrência. “A gente não pode deixar aumentar”, afirma.
Integração polícia e comunidade
O capitão Bergamo enfatiza que é muito importante a integração entre polícia e comunidade, quando aparecer um individuo suspeito o cidadão deve ligar para a Brigada Militar (número 190) e informar a situação, número de pessoas, placa e cor do veículo para poder fazer a abordagem desse veículo e tomar as providências necessárias.
“É como se fosse qualquer crime, viu um veículo suspeito circulando pela área durante o dia, principalmente, se puder verificar cor do veículo, placa, repassar para a Brigada Militar e a gente vai informar as guarnições locais do interior”, observa.