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Maior facilidade de acesso à informação ampliou a busca por cuidados entre o público feminino

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Marcelo.
Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo Jornal Bom Dia

Maior facilidade de acesso à informação ampliou a busca por cuidados entre o público feminino

Historicamente o cuidado com a saúde é uma característica do público feminino. A edição de 2015 da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que as mulheres brasileiras vão mais ao médico do que os homens. A publicação, que reúne dados levantados no último trimestre de 2013, revela que 71,2% dos entrevistados haviam se consultado pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista. Entre as mulheres, o índice foi de 78%, contra 63,9% dos homens.

Elas também são mais aplicadas nos cuidados com os dentes: 47,3% das brasileiras disseram terem ido ao dentista uma vez nos 12 meses anteriores, ante 41,3% dos homens. A diferença também aparece na questão da higiene bucal: 91,5% do público feminino pesquisado respondeu que escova os dentes duas vezes ao dia, ao passo que a taxa foi de 86,5% no masculino.

Os dados refletem uma realidade que é antiga e que foi ampliada pela maior facilidade de acesso à informação pelos avanços da medicina nos últimos anos. “O público feminino historicamente sempre preocupou-se com os cuidados com a saúde. Hoje ocorre uma busca maior por qualidade de vida a longo prazo e também pelas questões estéticas”, explica o médico ginecologista Marcelo Petry.

Segundo o profissional, atualmente os aspectos da saúde da mulher que demandam mais atenção são voltados aos cuidados com a saúde sexual e à necessidade de hábitos diários saudáveis. É partindo desta premissa que ele defende um acompanhamento anual com médicos por parte do público feminino para que assim seja possível identificar e prevenir possíveis doenças.

Fim aos tabus

Embora o cuidado com a saúde íntima venha ganhando mais atenção por parte das mulheres, por muito tempo as questões relacionadas à sexualidade e ao corpo feminino eram tabus ou alvo de interpretações equivocadas. A explicação para isso tem relação com aspectos religiosos e mitológicos visto que tanto na Bíblia, com a figura de Eva, como na Mitologia, com a figura de Afrodite, o corpo da mulher e sua sexualidade, respectivamente, teriam sido criadas a partir do pedaço do corpo de um homem: a primeira veio da costela de um; a segunda, do pênis castrado de um deus. “A ideia de que o corpo da mulher seria uma extensão do masculino se perpetuou por muito tempo em várias áreas do saber: os ovários eram conhecidos como “testículos femininos” até o século VXII”, destaca a Revista Azmina.

Para o médico Marcelo Petry a maior facilidade de acesso à informação vem permitindo o esclarecimento em relação a estes assuntos. “Os tabus foram se dissipando graças à tecnologia mais acessível, à globalização e a influência da mídia”, pontua. O médico finaliza destacando que “o dia da mulher renova a importância de seu papel para a humanidade. É um momento para incentivarmos valores que estão sendo esquecidos ou distorcidos”, completa.

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