A relação entre gatos e crianças não tem de ser um problema. Podem ser excelentes companheiros e desenvolver a mais amorosa, carinhosa e divertida relação, capaz de perdurar no tempo e tornar-se numa experiência de vida inestimável.
No entanto, esta relação deve ser cultivada desde o primeiro dia e devem ser colocadas em prática precauções de higiene e segurança que permitam tudo correr pelo melhor.
Se tem uma criança em casa e está a ponderar adotar um gato, ou se já tem um gato e está prestes a receber um novo membro da família humana, este artigo é para si e vai ajudá-lo com todos os passos e cuidados necessários. Desde os preparativos até à convivência do dia a dia, passando pelas preocupações mais comuns de saúde.
As preocupações naturais com a saúde
Muitos pais têm receio que a convivência entre as crianças e os animais se torne num problema de saúde. Receio que o gato possa aleijar a criança, que lhe transmita doenças ou provoque alergias.
Estas preocupações são perfeitamente naturais. Nenhum pai ou mãe no seu perfeito juízo quer colocar em risco a saúde do seu filho.
A boa notícia é que os potenciais problemas são evitáveis seguindo alguns cuidados simples. Basta para tal que esteja bem informado sobre cada uma das questões.
As alergias e a asma
A segunda preocupação mais frequente dos pais são problemas respiratórios nas crianças como alergias e asma. Curiosamente, estudos recentes têm apontado para uma relação inversa. Um contato com animais desde tenra idade ajuda a que o organismo desenvolva uma resposta imunitária capaz de prevenir o desenvolvimento destes problemas.
Segundo um estudo publicado na revista médica The Lancet, várias crianças em contato permanente com gatos desenvolveram um tipo de anticorpo que as protege das alergias. O mesmo estudo demonstrou que crianças que não têm gatos, em contato com outras crianças que os tenham (como os colegas de escola), estão em maior risco de contrair essas alergias.
Uma explicação para os resultados destes estudos pode ser o que os especialistas chamam de hipótese da higiene. Esta teoria defende que as crianças que crescem em ambientes super higienizados desenvolvem um sistema imunitário mais frágil, pois praticamente não contatam com microrganismos.
Tal afirmação não significa que a higiene não seja importante — é uma das nossas prioridades — mas sim que o contato com animais não tem de ser prejudicial para a saúde da criança. Pelo contrário, pode trazer benefícios.
A saúde do gato
Naturalmente, a saúde do seu gato deve ser controlada e os check-ups regulares no veterinário devem estar em dia, de forma a proteger tanto o animal como as pessoas que o rodeiam. A começar pela criança.
O gato deve ter as vacinas em dia e deve ser desparasitado regularmente, tanto interna como externamente, para evitar o contato de pulgas e outros parasitas ou fungos com a criança.
As unhas do gato também devem ser cortadas regularmente. Por fim, mantenha-se vigilante sobre sinais que o gato possa transmitir sobre problemas de saúde. Um gato que por algum motivo esteja com dores, vai reagir de forma mais agressiva em qualquer situação, o que pode dar origem a arranhões e mordidas. Se notar que o comportamento do gato sofreu alguma alteração, convém levá-lo ao veterinário.
Primeiros passos de uma boa amizade
O primeiro passo para que tudo corra bem entre a criança e o animal é a supervisão dos pais (ou de um adulto responsável). É a base de tudo. Evitar acidentes, ensinar à criança o que é um ser vivo (consoante a idade para o compreender obviamente), construir uma boa relação desde o primeiro momento.
Sem esta vigilância, a criança pode magoar o gato e até o gato mais tolerante do mundo vai defender-se perante uma dor intensa. Sem que a criança ou o gato tenham culpa, podem acabar ambos magoados.
Lembre-se que a criança não nasce a saber a diferença entre um animal e um qualquer boneco dos seus brinquedos. São os pais que têm de ensinar a criança a brincar com o gato, que tipo de festinhas se podem fazer, ensinar a não apertá-lo, não puxar as orelhas nem o rabo ou obrigá-lo a estar ao colo, sobretudo se o gato mostrar desconforto e procurar afastar-se.
Com esta supervisão e sem que ocorram acidentes, a experiência vai ser muito positiva quer para a criança, quer para o gato. Vão gostar um do outro e associar-se mutuamente a algo de bom. Este é um bom início de uma relação fantástica. À medida que a criança cresce e ganha capacidade de aprender novos conceitos, já não precisa se limitar a dizer que isto se pode fazer a um boneco mas não pode fazer a um animal. Já pode explicar o porquê. Explicar que o animal é um ser vivo e como nós sente dor, medo, mas também amor e carinho.