Usar determinada cor de roupa, jantar lentilha, pular ondas, comer sete frutas, guardar sementes de romã na carteira... Estas são algumas das superstições e simpatias que muitas pessoas apostam para a virada do ano. Muitas delas perpetuadas apenas pela tradição ou pelo conhecimento popular, elas se configuram principalmente como um meio pelo qual se projeta um ano novo próspero.
Mas estas iniciativas funcionam, de fato? O psicólogo Lucas Subtil explica que mesmo que cada um desses costumes possua sua determinada origem, vale frisar que a história da humanidade é perpassada, desde seus primórdios, pelas superstições. “E não há nada de errado nisso. A superstição traduz, põe em ato, o desejo que cada um carrega dentro de si. Que mal há em desejar amor, dinheiro, prosperidade, saúde?”, questiona o profissional.
O psicólogo ressalta, porém, que “as conquistas desejadas não devem ficar à mercê dos astros, à espera que algo mágico ocorra. Para tal, devemos nos haver conosco, olhar para dentro e saber os pontos que nos impulsionam para tais conquistas e aqueles que nos impedem de atingi-las. Uma dualidade carregada por todos nós”.
Em resumo, nas palavras de Subtil, “um ano verdadeiramente novo requer investimento pessoal, ações, força psíquica. Requer muito mais que apenas pensamento positivo. Como nos disse Drummond: ‘É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre’”, finaliza
O significado de algumas tradições
Lentilha
Conforme o site Dicionário de Símbolos, a lentilha simboliza fartura, prosperidade, renovação e renascimento. Ela faz parte da cultura alimentar humana desde o período neolítico e é um tipo de leguminosa que tolera bem as secas. O alimento é citado várias vezes no velho testamento e, conforme a tradição, acredita-se que comer lentilhas na noite do réveillon traz boa sorte para o ano novo. Esta tradição surgiu na Itália e espalhou-se por alguns países da América do Sul com a imigração italiana. Isso porque sua forma achatada está associada às moedas e, portanto, simboliza sorte financeira.
Romã e suas sementes
O mesmo site lembra da superstição da romã. A tradição é comer sete sementes da fruta e guarda-las na carteira até o próximo Réveillon se estiver visando dinheiro.
Pular ondas
Conforme o site Oba Oba, a explicação de pular sete ondas no Réveillon tem origem na Grécia e na África. Isso porque segundo os gregos, o mar tem um poder espiritual e pode renovar nossas energias, mas foram os africanos que trouxeram à tona a tradição de pular as ondas. E por que sete? É um número espiritual e, ao pular as ondas, você invoca Iemanjá, que dá forças para passar por cima das dificuldades do ano que está por vir.
Porco sim, aves não
Os supersticiosos acreditam que na noite do Ano Novo não se deve consumir galinhas ou frangos, por exemplo, pois elas ciscam para trás e isso significa atraso na vida. Aposte em carne de porco ou peixes que se movimentam sempre para frente. A explicação é do site Oba Oba.
Cores da virada
A relação entre o ano novo e a cor de roupa usada está ligada ao significado que cada uma carrega. Conforme a cromobiologia, que estuda o significado das cores e como elas afetam a vida humana, quando as cores são captadas pelos olhos, transmitem para o cérebro impulsos que resultam em mudanças comportamentais na sua vida.
O branco está ligado à calmaria e paz. O amarelo tem relação com dinheiro, amizade e otimismo. A cor dourada está ligada à riqueza e estabilidade financeira. O azul tem ligação com a harmonia e a saúde. Já a cor verde está diretamente ligada à sorte e à esperança.
A cor rosa é ligada à felicidade no amor, enquanto o vermelho está relacionado ao amor, desejo e paixão. A cor laranja tem relação com boas energias e excitação já que representa o espírito jovem. Já o roxo tem seu significado ligado à espiritualidade e intuição. A cor preta é ligada à força, formalidade e elegância e, por fim, o prateado está associado ao moderno e à inovação
Qual a sua superstição?
Rosmari Santos, auxiliar de indústria: “Comer lentilha porque acho que significa fortuna e carne de porco porque já é uma tradição”.

Dércio Caldart, aposentado: “Não tenho nenhuma superstição porque não acredito. Para mim, ano novo é um dia a mais”.

Jean Morandini, administrador: Uso roupa branca, como carne de porco e lentilha. Não porque acredito que vá mudar alguma coisa, mas por tradição apenas”.

Gicieli Pereira, empacotadora: Além de comer lentilha, uso roupa branca, porque é uma tradição que nossos pais e avós passam para a gente. É um costume”.

Vaudriane Cubiak, estudante: “Como lentilha e carne de porco e uso a cor preta, mas porque quero ser diferente”.

Antônio Dias, porteiro: “Comemos uma lentilha porque é uma tradição que já vem de ano em ano, então não dá para mudar o cardápio. E roupa uso qualquer uma, do dia a dia”.
