Qual criança que não espera receber um presente de Natal? Do Papai Noel, dos pais, algum familiar, vizinho e até mesmo, de pessoas desconhecidas que, por ventura, descobriram o que seria seu tão desejado presente e resolveram cumprir a função do ‘bom velhinho’. Esse tem sido o objetivo do Papai Noel dos Correios há quase três décadas, sendo que nos últimos três anos foram recebidas 2,5 milhões de cartas em todo país. No ano passado cerca de 30 mil crianças tiveram seus pedidos atendidos no Estado e, em Erechim foram 220 – número total das cartas recebidas.
Neste ano, foram 350 cartas de duas escolas estaduais e uma municipal e todas foram adotadas. As instituições foram selecionadas pela 15ª Coordenadoria Regional de Educação e Secretaria de Educação. Elas foram redigidas por alunos de até 10 anos de idade (5ª ano) e, quem não está alfabetizado teve o auxílio das professoras.
O gerente da agência dos Correios de Erechim, Alcir José Kochanski, explica que a escola leva até a agência as cartas que são disponibilizadas para os padrinhos lerem e adotarem. “Depois eles nos trazem o presente e fazemos a entrega para as crianças na escola”, explica.
A modalidade de participação da campanha foi alterada em 2010, quando até então participavam crianças de toda a comunidade e os padrinhos podiam entregar os presentes. Kochanski salienta que em 2010 os Correios estabeleceram parcerias com escolas públicas, creches e instituições que abrigam crianças em situação de vulnerabilidade social, buscando atender um dos objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU): educação básica de qualidade. Conforme o projeto, esse novo formato promove a permanência da criança na escola, incentivando a redação de cartas manuscritas no ambiente escolar.
Em muitas cartas, além de fazer o pedido do presente ao Papai Noel, muitas crianças fazem um pequeno relato da sua realidade de vida, o que acaba comovendo os padrinhos em muitas situações. “Muitas vezes eles se emocionam com os relatos e choram ao ler as cartas”, conta Rosângela dos Anjos, funcionária dos Correios há quatro anos, acrescentando que “muitas vezes o presente parece ser tão pouco para quem vai adotar, mas para a criança faz toda a diferença. Qual criança que não espera um presente de Natal?
E muitos destes casos também acabam fazendo com que a generosidade do padrinho ofereça à criança não apenas o presente pedido, mas também algo a mais. Desde a alteração na campanha, não é mais permitida à doação de alimentos, pois não tem como acondicioná-los nesta época devido ao calor. Assim, em Erechim, a maioria dos pedidos tem sido por brinquedos, seguido de material escolar.
Mas Rosângela comenta que neste ano tiveram alguns pedidos inusitados como uma pizza por exemplo. Neste caso, o padrinho vai presenteá-la com um vale-pizza. Outra carta continha o pedido de um saco de pirulitos, pois a criança tinha muita vontade de comer, mas não dispunha de dinheiro para comprar.
Percorrendo o ambiente da agência dos Correios de Erechim, em meio ao trabalho diário dos funcionários, é fácil se emocionar. São presentes espalhados onde há espaço. Bicicletas novas, bolas, jogos, pacotes pequenos, grandes, coloridos. “Apesar de trabalharmos com isso há anos, sempre nos envolvemos emocionalmente e, provavelmente, todos funcionários acabam adotando uma carta”, conta Alcir José Kochanski. E quando faltam algumas cartas que ainda não tiveram padrinhos, os funcionários entram em contato com pessoas que participaram de edições anteriores para não deixar nenhuma carta sem adoção.
“Agora com a participação das escolas, o número de cartas reduziu, e assim, nenhuma fica sem presentes. Mas recordo que já tivemos edições com mais de 600 cartas adotadas”, acrescenta. “Quem são os padrinhos? O empresário, o trabalhador com uma renda mais baixa. Todos se envolvem nesta época do ano, que é mais suscetível a exercer esse nobre sentimento que é a doação”.
Kochanski trabalha há 37 anos nos Correios e já fez muitas entregas dos presentes para as crianças. Ele relata que não há como não sentir aquela emoção de ver a criança receber seu presente solicitado ao Papai Noel. “E para muitas, se não fosse o Papai Noel dos Correios, não iriam receber nenhum presente de Natal”.