Com a mão na massa! Essa foi a experiência dos idosos residentes no Lar dos Velhinhos de Erechim, que resgatou o costume e a tradição da confecção manual de panetones, em ação que refletiu a magia do Natal. Em clima de descontração, solidariedade, amizade, companheirismo e muito amor, a atividade coordenada pela psicóloga, Eliana Santin, auxiliada pelas equipes de nutrição e administração, encantou os participantes.
Ao som de músicas natalinas cantadas pelos idosos, os bons velhinhos colocaram a mão na massa e cada um preparou o seu panetone para presentear seus entes e amigos queridos.
Vestidos à caráter, com direito a toca de Papai Noel, os idosos demonstraram em suas ações e palavras, que a sabedoria e a experiência de vida de cada um que ali reside, tem um valor imensurável. São muitas histórias e relatos emocionantes que fica praticamente impossível passar despercebida uma visita ao Lar dos Velhinhos, que hoje abriga cerca de 170 residentes.
E o que dizer quando a recepção no lar vem embalada ao som de uma música homenageando o Jornal Bom Dia. É emoção na veia, na mente, no coração e na alma. Um arrepio gostoso e uma sensação leve de estar com pessoas do bem, em perfeita sintonia com vibrações e energias positivas.
Fazer parte dessa atividade no Lar dos Velhinhos, deixou a repórter que escreve com lágrimas nos olhos e com sorriso permanente na face. Foi uma imersão em um mundo de sabedoria, dedicação e amor. Bateu aquela saudade dos avós que já partiram e fez ter a certeza de que o respeito, o carinho e a dedicação com os idosos trazem benefícios mútuos.
Mas, vamos voltar aos panetones? A psicóloga da instituição explica que a prática realizada é muito mais ampla do que simplesmente fazer os panetones. “São em ações como essa que trabalhamos a autoestima dos idosos, ocupando corpo e mente em atividades práticas. Além disso, é o resgate da tradição de fazer o alimento com as próprias mãos”, disse Eliana Santin.
Tradição de família
A história nos conta que, de tão tradicional no Brasil, o panetone parece ter sido inventado aqui mesmo. Mas não foi. O pão amplamente consumido no Natal foi criado em Milão, na Itália, graças aum equívoco de um padeiro. A lenda em torno de sua criação diz que o assistente de padeiro Toni, após ter trabalhado horas a fio na véspera de Natal, precisava ainda assar mais uma fornada de pães e preparar uma torta para seu chefe. De tão exausto que estava, confundiu-se e colocou as uvas passas da torta na massa de pão. Desesperado, tentou salvar a situação jogando frutas cristalizadas, manteiga, ovos e os demais ingredientes do recheio que seriam usados originalmente na torta.
Toni assou a mistura e entregou para o patrão. O que o assistente não esperava era que sua criação fizesse sucesso durante a ceia de Natal de seu chefe, que, além de elogiá-lo, decidiu homenageá-lo e dar o nome à massa de "pane di Toni" ("Pão do Toni", na tradução do italiano). Com o passar do tempo, o bolo começou a ser chamado de panetone. Como toda boa lenda, a origem do panetone possui várias versões, mas todas elas têm Toni como denominador comum. A chegada dos imigrantes italianos no Brasil após a segunda Guerra Mundial trouxe o panetone para o País.
Com a mão na massa
Essa foi a primeira vez que o Lar dos Velhinhos realizou essa ação natalina e parece que o resultado agradou os participantes. Maria, Inês, Nelcindo, Ana Clélia, Osvaldo, Tacilo, Vilia, Toni, Neca, Gladies e muitos outros nomes abrilhantaram a atividade, colocando a mão na massa. Ainda, com seus sorrisos cativantes e relembrando as histórias do passado, contaram que faziam pão em casa junto aos seus familiares.
“Sempre foi um momento de diversão, de estar ao lado da família. Fazer pão era uma hora muito alegre e por isso tinha muito amor na comida. O pão era feito por todos, era tradição de família e demonstrava a união na hora de fazer o pão e na hora de comer, compartilhando com os familiares”, contaram os bons velhinhos.
E o presente vai para...
Na hora de dizer para quem dariam os seus panetones, muitos disseram que iria para algum membro da família, como filhos, irmãos, sobrinhos. Outros disseram que o seu panetone era presente para as enfermeiras que trabalham no lar. Já alguns amigos e companheiros trocaram os presentes entre si.
“Somos amigos, somos família e somos colegas de quarto. Vamos trocar os panetones e presentear um ao outro”, contaram Osvaldo e Tacilo.
“O meu panetone vai para os meus amigos do lar. O Toni e a Neca. Somos grandes amigos e o meu presente vai para eles”, disse Vilia emocionada.
Feliz Natal
Quem disser que a magia do Natal vai se perdendo conforme os anos passam está equivocado. Os bons velhinhos disseram que o momento do Natal é mágico. “Tem algo diferente no ar. Celebramos o nascimento de Jesus e com isso renovamos a nossa fé e a nossa crença na humanidade. São momentos como esse que pedimos paz, alegria, amor, amizade, companheirismo, felicidade, mas principalmente muita saúde para todos as pessoas e para todos os nossos colegas do lar. Também desejamos que toda a população de Erechim e da nossa região sejam abençoados por Deus e possam realizar seus sonhos. Que a felicidade seja constante e que somente coisas boas aconteçam”, relataram os bons velhinhos.
Com essa experiência, fica evidente que não é preciso ter uma religião definida. E ninguém é obrigado a crer em Deus para desejar o amor ao próximo, para fazer o bem, para ter em suas atitudes o reflexo de humanidade, da compaixão e, principalmente, o desejo de que este mundo em que se vive ainda possa recuperar a sabedoria do passado, onde o que você é, vale muito mais do que aquilo que você tem.