Um ato realizado no centro de Erechim na tarde de hoje (15) reuniu diversas categorias trabalhistas, principalmente professores estaduais. A iniciativa – uma aula pública – foi organizada pelo Centro dos Professores do Estado do RS (Cpers) e teve como principal tema a Reforma da Previdência. A atividade faz parte da greve chamada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
A aula pública foi ministrada pelo advogado Pedro Otávio Magadan, que pontuou sobre aspectos do projeto que tramita no Congresso. Segundo ele, o objetivo principal da sua fala foi “esclarecer do que se trata a medida e desmistificar a ideia do rombo na Previdência que o governo tem usado como argumento para a reforma”. A iniciativa, conforme o advogado, serve para fortalecer a luta da categoria. “Mostrando que este rombo é na verdade um mecanismo contábil que utilizam para justificar a reforma, munimos os trabalhadores de informação para defenderem seus direitos. Esta reforma não respeita a seguridade social e vai causar um prejuízo muito sério à classe trabalhadora”, ponderou.
Participação regional e de diversas categorias trabalhistas
Participaram do ato também outras categorias, como carteiros, além de representantes de sindicatos trabalhistas como comerciários, metalúrgicos, trabalhadores em alimentação, em saúde, entre outros. Quanto ao magistério estadual. A diretora do 15º Núcleo do Cpers, Marli Kümpel da Silva, salientou a participação regional, citando representação dos municípios de Paulo Bento, Quatro Irmãos, Marcelino Ramos, Aratiba, Itatiba do Sul, Erebango, Faxinalzinho, Jacutinga, Viadutos, Floriano Peixoto, Centenário, Gaurama, Carlos Gomes, Benjamin Constant do Sul, Severiano de Almeida e Campinas do Sul. “Essa união de forças é muito boa porque vivemos um momento que aflige os trabalhadores que se encontram diante de perda de direitos e falta de expectativas de uma futura aposentadoria”, ponderou.
A sindicalista argumentou que professores em geral atuam de 30 a 35 anos e que a reforma exigiria um tempo ainda maior de trabalho. “Neste cenário a categoria não tem como pensar em um futuro digno, sem contar as condições que os trabalhadores vêm vivendo, sem expectativa de salários integrais e reajustes, além de ameaças diárias de perda de direitos. Tudo isso no coloca inclusive diante da possiblidade de as escolas serem até mesmo privatizadas, através da manobra do governo de precarizá-las. São várias as preocupações que vêm se acumulando e elas culminam nessas mobilizações”, pontuou Marli.
Funcionamento normal nas escolas a partir de amanhã
Pelo menos 19 escolas estaduais entre as quase 30 presentes em Erechim aderiram à paralisação desta quarta-feira. A maioria delas teve paralisação total das atividades, enquanto em algumas a interrupção das atividades foi parcial. Também aderiram ao movimento instituições de ensino de outras cidades do Alto Uruguai.
Embora a paralisação anunciada pelo Cpers tenha sido pensada para tempo indeterminado, na região a greve não deverá ter continuidade e as aulas ocorrerão normalmente nesta quinta-feira (16). A diretora regional do sindicato explica que seguirá sendo feito um trabalho de mobilização da categoria. “Nossa região não tem a cultura de fazer grandes greves. Não que não entenda a necessidade de se mobilizar, mas pela dificuldade e até mesmo por falta de apoio da comunidade escolar que muitas vezes não compreende nossas motivações. Ainda assim, seguiremos nossa caminhada e nosso trabalho de convencimento”, completou.
Frente Brasil Popular organiza atividades para a noite
A Frente Brasil Popular, que engloba diversas categorias regionalmente, também está organizando atividades para a noite desta quarta-feira. Entre elas uma caminhada luminosa da Praça Jaime Lago até a Praça da Bandeira e outra aula pública.