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Cuidar de si para cuidar dos filhos

Hábito de buscar serviços de promoção e prevenção à saúde ainda é pouco comum entre os homens

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Dia dos pais
Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Freepik

Estar junto aos filhos, vê-los crescer e acompanhá-los durante a vida é, sem dúvidas, um desejo comum aos pais de todas as idades. Mas, para que isso de fato seja possível, além do esforço particular de cada um movido pelas questões sentimentais, o fator saúde também é de extrema importância, afinal a ela estão ligadas aspectos como a longevidade e a boa disposição, fundamentais para garantir essa relação duradoura.

É neste contexto que o cuidado com a saúde é de extrema importância e, especialmente quando se leva em conta pesquisas que apontam que os homens se preocupam menos em ir ao médico do que as mulheres. Em Erechim, segundo a médica comunitária do programa Estratégia Saúde da Família (ESF), Katia Schmidt Filgueiras, essa realidade vem mudando aos poucos, entretanto, eles ainda são minoria na busca por serviços de promoção e prevenção à saúde.

Entre os motivos que mais levam os homens a procurar serviços de saúde estão problemas como hipertensão e diabetes, além de problemas relacionados ao alcoolismo e ao tabagismo. “Há ainda uma certa resistência por parte deles em buscarem os serviços de saúde no que se refere às consultas preventivas. Em geral eles acessam os serviços quando já estão cometidos por algum problema, como dores, dificuldades respiratórias, ou tosse, por exemplo. E, ainda assim, não raramente vêm por insistência de outros familiares”, pontua.

Essa resistência, segundo Kátia, pode ser justificada também, pelo fato de a saúde do homem ter ficado por muito tempo em segundo plano nas campanhas voltadas à prevenção. “Durante muitos anos se intensificaram campanhas voltadas à promoção e ao cuidado com a saúde de crianças e mulheres, enquanto a saúde do homem foi sendo relegada. Isso pode ter contribuído para este desinteresse em buscar serviços. Nos últimos anos esse cenário vem mudando e eles passaram a ser também o foco destas campanhas, a exemplo do novembro azul, focado na prevenção às doenças da próstata, mas ainda assim, a resistência permanece e será mudada aos poucos”, avalia a profissional.

A médica também ressalta que mesmo entre o público que procura pelos serviços de saúde, há uma percepção de homens mais idosos, visto que a resistência é ainda mais visível entre o público masculino mais jovem. Nesse sentido, segundo ela, há algumas medidas que visam incentivar a inserção desse público nas ações preventivas, a exemplo dos pré-natais de gestantes, nos quais os homens também são convidados a participar das consultas além de buscar informações quanto a sua saúde.

Outro ponto que a médica chama atenção quanto ao público masculino está ligado às questões de tabagismo e alcoolismo, problemas que de certa forma vem sendo observado mais em homens e estão diretamente ligados às mortes violentas, como acidentes, por exemplo.

A médica enfatiza, por fim, que a mudança na realidade da procura por serviços de prevenção e promoção à saúde por parte dos homens perpassa também pelo maior foco neste público em campanhas educativas e de orientação quanto à saúde. “Temos o exemplo positivo do novembro azul que nos mostra que campanhas são capazes de fazer a diferença e de incentivar medidas preventivas. É por isso que se faz cada vez mais necessário pensar em mais iniciativas que ultrapassem estes temas que possam incentivar este público de outras maneiras a buscar os serviços que estão à disposição na saúde pública”, completa.

Rede municipal de atenção à saúde oferece opções ao público masculino

O secretário municipal de Saúde, Jackson Arpini, também reforça que a diferença na procura pelos serviços de promoção e prevenção à saúde por parte dos homens, em relação às mulheres, se dá também pelo fato de elas acessarem mais os serviços devido ao acompanhamento durante a gestação. “Isso de certa forma acaba fazendo com que elas criem um vínculo com o lugar onde realizam pré-natal, onde se dirigem para fazer exames. Partindo deste vínculo, elas acabam frequentando mais as UBSs” pontua. É neste sentido que ele complementa a fala da médica quanto ao pré-natal masculino. “Na atenção primária esta se alterando aos poucos a cultura de saúde, com a participação do homem no pré natal da gestante, o que permite uma aproximação dos serviços de saúde da figura do homem, um pouco mais resistente a procurar serviços preventivos”, destacou.

Arpini também explica que na rede municipal de atenção à saúde são ofertados diversos programas de promoção e prevenção em saúde. “Para as doenças crônicas que afetam o homem, como diabete e hipertensão, são ofertados os programas de assistência farmacêutica, com o fornecimento de medicamentos, aparelhos e tiras para exame de taxa de glicose no domicilio, entre outros”.

Com relação ao etilismo e uso de drogas, ele revela também que os indicadores demonstram uma incidência maior para os homens, numa proporção de 70% para 30%. “Nesse cenário temos o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, como serviço de apoio e assistência para esses casos, com a participação de uma equipe multiprofissional, oficinas e medicamentos”, explica.

No caso específico da prevenção do câncer de próstata, Arpini pontua que a rede dispõe, além dos serviços da atenção primária, consultas especializadas em urologia, para diagnóstico e terapêutica, bem como, retaguarda técnica junto à Fundação Hospitalar Santa Terezinha, quando o caso requer procedimentos da atenção terciária.

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